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LÁGRIMAS NO SILÊNCIO:
O DRAMA DAS CRIANÇAS SEDUZIDAS E ABUSADAS
Julio Severo
Recentemente, um jornal da Inglaterra noticiou:
“Médico de família enfrenta sentença à prisão por ataques sexuais a pacientes
menores e adultos. Timothy Healy, de 56 anos, drogava alguns de seus pacientes
e então se filmava abusando deles enquanto estavam inconscientes. As vítimas,
todas do sexo masculino, não sabiam que haviam sido abusadas até a policia procurá-las
no ano passado. Alguns agora estão passando por aconselhamento”. [1]
Casos assim revoltam. Tal revolta é justificável,
pois abusar sexualmente de um adulto já é um crime horrível, mas praticar a
pedofilia é um comportamento que chega aos limites do anormal. Pedofilia significa
gostar de crianças, num sentido sexual. Já que um menino ou menina não está
física, espiritual e emocionalmente preparado para se relacionar sexualmente,
qualquer ato que conduza a criança ao sexo ou ao despertamento sexual constitui
agressão ao desenvolvimento infantil. No caso do médico inglês, ele sentia atração
homossexual pelos pacientes.
Em algumas situações, os pedófilos nem
precisam drogar suas vítimas. As crianças de hoje estão tão expostas e acostumadas
à nudez e cenas de sexo na TV que o terreno já está preparado para a aproximação
de sedutores. Conversei recentemente com uma menina de 4 anos de idade e perguntei
sobre as pessoas de quem ela gostava mais. Além do pai e da mãe, a resposta
trouxe uma marca inconfundível do papel da mídia na vida das famílias: a menina
me apontou uma artista de novela como seu alvo de admiração. A novela em questão
é, em termos bíblicos e seculares, imprópria até para adultos, por seu desrespeito
não só aos valores cristãos, mas também por sua agressão aos valores morais
mais básicos. Outras meninas que conheço, da mesma idade, assistem à mesma novela
e são expostas à sexualidade desenfreada de adultos que ainda não tiveram a
oportunidade de ser salvos e transformados. Expor crianças a cenas de sexo também
pode ser considerado abuso, num nível psicológico. Tal abuso prejudica o desenvolvimento
normal da criança.
Há dois tipos principais de indivíduos
que cometem atos sexuais contra crianças. Há os criminosos, que podem pegar
qualquer criança desconhecida e violentá-la. E há os casos menos visíveis, onde
o crime não é cometido por estranhos, mas por gente da própria família ou amigos
íntimos da família.
Se uma menina de 10 anos fosse estuprada
ao vir da escola, ela não teria o menor receio de revelar aos pais o que lhe
aconteceu. A violência do ato não daria espaço para timidez. Mas as situações
em que o estupro ocorre na família deixam a criança confusa e despreparada emocionalmente.
Diferente do criminoso desconhecido que usa a força e a violência, o indivíduo
que deseja sexualmente uma criança da família recorre a seduções e enganos.
A sedução também inclui outros atos sexuais, tais como carícias, assédio sexual
e exibicionismo, em que o indivíduo tira toda a roupa na frente da criança ou
lhe mostra os órgãos sexuais. Todas essas experiências deixam cicatrizes emocionais
que acompanharão a criança pelo resto da vida.
Embora o indivíduo que se aproveita de
uma criança da família utilize truques de carinho e afeto para conduzir a criança
a uma experiência sexual, é preciso esclarecer que a afeição física normal entre
os pais e seus filhos não é errado. Segurar a mão, abraçar e beijar no rosto
são gestos de amor normais e indispensáveis numa família saudável. Com tal demonstração
de afeto, as crianças conseguem aprender a experimentar o acolhimento e segurança
que Deus projetou para a família.
Raramente alguém precisa utilizar a força ou ameaças
violentas para se aproveitar de um menino ou menina ou para impedi-los de contar
“o segredo”. Embora seja inocente, depois de uma experiência de sedução a criança
se sente suja, envergonhada e “estranha”. Ela não entende o que aconteceu, mas
sente que há algo muito errado na situação.
Dor e Segredo dentro da Família
Conheci uma jovem que por muitos anos
viveu uma vida de confusão e tragédia em seus relacionamentos pessoais. Ela
tinha dificuldade de fazer amizades saudáveis, mas não porque tenha nascido
desajustada. Todo problema tem uma causa. Quando tinha 11 anos, seus pais, que
eram evangélicos, visitaram parentes e, num dia em que foram passear, deixaram
a menina com os primos. Os pais da menina relutaram, mas acabaram permitindo
que sua filha ficasse na casa, com a convicção certa de que entre parentes nada
de mal poderia ocorrer. Lamentavelmente, ocorreu. Os dois primos, mais velhos
que ela, colocaram em prática sua curiosidade sexual e envolveram a menina em
experiências que desviaram completamente sua rota de uma sexualidade saudável.
Os rapazes não eram tarados, mas como diz o ditado: “A ocasião faz o ladrão”.
A menina não conseguiu reagir com força aos avanços sexuais porque já estava
acostumada à nudez. Seus pais, seguindo conselhos de psicólogos, costumavam
expor a própria nudez aos filhos.
Sua “iniciação sexual” aos 11 anos a deixou
vulnerável e aberta a outros sedutores. Já com 13, ela começou a ser usada sexualmente
por homens adultos. Embora tais experiências tenham alterado sua vida para pior,
ela nunca revelou aos pais o que aconteceu. O caso dessa jovem representa, de
forma real, o drama em que vivem as crianças que são seduzidas por gente da
família e depois passam o resto da vida caladas, com seu segredo e dor.
Em geral, as vítimas de abuso sexual dentro da
família são meninas de 8 a 12 anos. Nessa idade, a experiência sexual tem conseqüências
que duram muitos anos. Em recentes estudos, 70% dos presidiários e 90% das prostitutas
afirmaram, em entrevistas numa pesquisa, que haviam sofrido abuso sexual quando
eram crianças. [2]
Ainda que as meninas costumem ser o alvo mais comum
dos sedutores, os meninos também podem ser vítimas. Uma mãe evangélica foi fazer
compras no centro da cidade e deixou seu filho de 8 anos com uma amiga evangélica.
Não poderia nem deveria ter ocorrido nada de anormal, pois havia ali uma amizade
de confiança. Mas essa amiga tinha um filho maior de 18 anos que levou o menino
para passear, seduziu-o e o usou sexualmente. Depois de tal experiência, o menino
passou a sentir confusão sexual e vergonha e jamais contou aos pais sobre o
abuso sofrido. Uma opressão espiritual começou a pressioná-lo em direção ao
homossexualismo. Assim como no caso da menina abusada aos 11 anos, o menino
também viveu com seu segredo e dor. Ele só não foi arrastado para um estilo
de vida homossexual porque teve um encontro forte com Jesus. Mas a menina passou
a viver uma vida de desilusões com o sexo masculino.
A maioria esmagadora dos homens e mulheres
que carregam na alma as feridas do abuso sexual cometido por amigos ou familiares
são vítimas silenciosas. A
vergonha e humilhação são tão grandes que muitas vítimas não conseguem procurar
socorro. É importante compreender que a sedução pode ocorrer de diversas maneiras.
Mas em geral a criança ou adolescente é seduzido de algum modo para estimular
sexualmente outro indivíduo que é adulto ou consideravelmente mais velho do
que a vitima ou alguém que tem algum tipo de controle ou autoridade sobre a
vítima. O contato sexual envolve toques físicos que estimulam sexualmente o
sedutor ou a vítima. Alguns tipos de abuso:
·
Contato sexual
direto com a vítima, com ou sem força.
·
Atos de carícia,
toque e manipulação na área sexual ou nos seios.
·
Beijar ou tocar
partes do corpo da vítima, com ou sem roupa, para criar estímulo sexual.
Outros tipos de abuso
não envolvem toques, mas deixam marcas psicológicas na vitima:
·
O sedutor fica
deliberadamente observando uma criança ou adolescente sem roupa.
·
O sedutor expõe
a vítima a imagens sexuais — fotos de pessoas nuas, literatura ou vídeos pornográficos
ou a exibição de seu próprio corpo — para quebrar a resistência da criança e
provocar estímulo sexual.
As
conseqüências atingem as emoções e o corpo, que pode experimentar dor e ferimentos
no ato do abuso (sem mencionar doenças venéreas), e podem deixar a vítima seriamente
vulnerável a vários tipos de opressão espiritual.
Riscos & Conseqüências
Os fatores de risco para a criança envolvem
a ausência de um pai natural em casa, um pai que foi violentado na infância
e falta de supervisão dos pais. No entanto, até mesmo crianças criadas por pais
atentos num lar saudável podem se tornar vítimas de um parente, vizinho ou outro
adulto em quem a família confia.
Uma das tarefas mais delicadas e desagradáveis
dos pais é prevenir os filhos a tomarem muito cuidado com os perigos aí fora
na rua. Mas como prevenir a criança de que alguns desses mesmos perigos também
ocorrem fora das ruas? Para sua própria proteção, a criança precisa ser ensinada
que ela não pode confiar em ninguém, mesmo em adultos conhecidos da família
e mesmo em homens de quem ela goste. Alguns pedófilos têm um jeito especial
com crianças — eles sabem agradar e brincar com elas e sabem como demonstrar
afeição e atenção. [3]
O abuso sexual ocorre em famílias de todos
os níveis sociais — não só entre as pessoas pobres que não vão à igreja. Não é fácil identificar uma criança abusada,
pois a maioria tem medo e vergonha de revelar o que aconteceu, principalmente
quando o pedófilo é alguém de confiança da família. Não
é fácil também identificar um pedófilo,
pois muitos podem parecer gente importante nos meios sociais e na igreja. Em
geral, seus atos de sedução ficam escondidos e nunca chegam ao conhecimento
das autoridades e dos pais da vítima.
Pessoas que sofreram sedução na infância
carregam em segredo feridas na alma. Elas não têm coragem de revelar seus sofrimentos
e lutam contra os traumas secretos que interferem com seu crescimento espiritual
e relacionamento com outras pessoas. Muitas vítimas, como conseqüência direta
de uma experiência de abuso sexual, passam a experimentar:
·
Baixa auto-estima
e sentimento de vergonha. O sentimento de que elas também são culpadas do que
aconteceu. O sentimento de que há sempre algo errado com suas vidas e de que
elas são “menos importantes” do que as outras pessoas.
·
Vício de drogas
e álcool.
·
Problemas sexuais,
tais como aversão ao sexo ou desejos incontroláveis de ter sexo.
·
Problemas para
estabelecer relacionamentos saudáveis com outras pessoas e com o cônjuge.
·
Depressão.
·
Desordens obsessivas/compulsivas,
como comer demais, bulimia ou anorexia.
·
Facilidade para
fazer amizade e ter relacionamento com indivíduos que tiram proveito sexual.
Muitos acham estranho o fato de uma jovem seduzida
na infância ter inclinação para se envolver justamente com “amizades” que se
aproveitarão dela sexualmente. Como explicar tal inclinação? John Wimber, ex-professor
do Seminário Fuller, comenta: “Os demônios ganham um ponto de entrada na vida
das pessoas através de várias maneiras. Ódio de si mesmo e de outros, vingança,
falta de perdão, desejos sexuais descontrolados, pornografia, comportamentos
sexuais errados, várias perversões sexuais e abuso de álcool e drogas geralmente
abrem a porta para influências demoníacas”.
[4] Infelizmente, as conseqüências podem não atingir só os sedutores.
Wimber diz: “Provavelmente, [os demônios] ganham acesso a meninos e meninas
que são vítimas de abuso”. [5]
Muito embora não tenham culpa alguma da crueldade que sofreram,
as vítimas de abuso passam a viver uma vida de mágoa, revolta e desprezo por
si mesmas. Demônios podem se aproveitar dessa situação de trauma e começar a
exercer influência de opressão e desestruturação. Isso explicaria o motivo por
que muitos jovens violentados na infância acabam se envolvendo em prostituição,
vários tipos de comportamentos sexuais errados, bruxaria e relacionamentos prejudiciais.
Alguns até passam a cometer os próprios abusos que sofreram.
Abuso nas Igrejas
As igrejas evangélicas estão se despertando para
os perigos do abuso sexual que ameaçam crianças num lugar que deveria ser o
mais seguro: a casa de Deus. Um artigo publicado na revista Charisma
revela como pastores, líderes de jovens e obreiros têm se aproveitado de sua
posição de confiança para seduzir meninas, meninos e adolescentes.
[6]
As vítimas muitas vezes sofrem caladas
durante anos, pois elas ficam confusas e não entendem como podem ter sofrido
sexualmente num lugar onde elas deveriam apenas ter liberdade para adorar a
Deus e experimentar seu amor. É o caso da menina Chrissy de 7 anos de idade,
que foi seduzida no dia em que foi batizada. O que deveria ser um dos acontecimentos
mais importantes na vida dela ficou marcado também com o sentimento de vergonha,
medo e humilhação. Hoje, aos 38 anos, Chrissy é mãe de dois filhos e afirma
que sua recuperação espiritual começou quando ela permitiu que o Espírito Santo
curasse seu sofrimento emocional.
Outro caso é o de Demise, que tinha 15
anos quando foi abusada pela esposa do líder de jovens de uma Igreja do Evangelho
Quadrangular. “Experimentei a plenitude do Espírito Santo e meia hora depois
a esposa dele me encurralou dentro da igreja e abusou de mim”, disse ela. “Lembro-me
de achar que com certeza Deus se manifestaria e a mataria por fazer aquilo num
lugar sagrado”.
O maior inimigo é o silêncio entre os
evangélicos, que preferem não falar muito sobre um assunto tão delicado. Parece
mais fácil comentar quando o problema se refere a outras religiões, como os
recentes escândalos na Igreja Católica dos EUA.
Um importante estudo revelou que 7 por cento dos
filhos de missionários relataram ter sofrido abuso sexual, principalmente quando
viviam e estudavam em internatos enquanto seus pais trabalhavam para evangelizar
em regiões distantes. [7]
O estudo foi preparado por um grupo de importantes organizações missionárias
e prova de modo claro que há um problema que muitos evangélicos não querem enfrentar.
O problema só não foi revelado antes porque as organizações missionárias tinham
medo de perder doações e apoio se tivessem de enfrentar manchetes negativas
na imprensa. Assim, a solução era negar a possibilidade do problema ou fazer
de conta que não existia.
Annette McNeill Keadle tinha 8 anos quando
estudava num internato para filhos de missionários. Ela relatou ter sido violentada
pelo homem adulto que estava ali para cuidar dela enquanto ela estava longe
dos pais. Quando houve a revelação do crime, o homem confessou o estupro, mas
teve permissão de continuar trabalhando na escola até o final do ano. Depois,
foi despedido, mas o caso não foi levado às autoridades. Outra vítima, Marcia
MacLeod, afirmou que o fato de que o internato não quis entregar o pedófilo
à polícia a fez se sentir inútil, pois a falta de punição estava demonstrando
falta de preocupação e interesse no seu bem-estar.
O
aspecto positivo é que, percebendo a gravidade do problema, muitas igrejas americanas
estão agora adotando medidas para impedir situações em que um adulto, até mesmo
um líder ou pastor, possa ter facilidade ou tentação para abusar de crianças
ou adolescentes.
Comum entre Gays
Com o aumento do homossexualismo hoje,
os casos de meninos violentados estão aumentando. Segundo o noticiário
WorldNetDaily (www.wnd.com), o abuso
sexual contra crianças é mais comum entre os homossexuais. A Drª Judith Reisman,
pesquisadora e sexóloga, afirma que os homossexuais “abusam sexualmente de menininhos
com uma incidência que está ocorrendo cinco vezes mais do que o abuso contra
as meninas...” [8]
O Journal of Homosexuality (Jornal da Homossexualidade)
publicou uma edição especial intitulada “Intimidade Intergeração Masculina”,
contendo muitos artigos apresentando o sexo entre homens e meninos como relacionamentos
amorosos. Um dos artigos dizia que os pais deveriam ver os pedófilos que amam
seus filhos “não como rivais ou competidores, não como indivíduos que querem
lhes roubar uma propriedade, mas como parceiros na criação do menino, alguém
que deve ser bem recebido no lar”. [9]
Embora não sejam raros, os casos em que
meninos são seduzidos e estuprados por homossexuais são difíceis de identificar
quando são noticiados, pois a imprensa quase sempre evita mencionar que o sedutor
é gay (como na notícia do médico inglês no início deste artigo), até mesmo quando
a realidade é inegável. Algum tempo atrás, um pediatra brasileiro abusou de
vários adolescentes do sexo masculino, porém os noticiários tiveram todo cuidado
de não mencionar a palavra homossexual. Na cultura politicamente correta
de hoje, a norma é não só valorizar o comportamento gay, mas também protegê-lo
de verdades prejudiciais à sua aceitação e expansão.
Sinais de Abuso
É fácil ignorar os sinais de que algo
pode não estar bem numa criança ou adolescente, mas ignorar a realidade não
vai ajudar quem foi prejudicado. Não há a necessidade de suspeitar de tudo e
de todos, mas é preciso que sejamos sensíveis e alerta com relação a uma criança
ou adolescente em necessidade, pois o problema é tão silencioso que nossa ação
pode representar o único modo de a vítima ser liberta e escapar da ameaça de
continuar sendo abusada. Cada situação é diferente, mas há indícios que revelam
que uma criança pode estar passando por um problema.
·
A criança fala
ou mostra conhecer coisas de sexo que não é natural para sua idade ou então
expressa afeição de um modo que não é normal para uma criança. Se uma criança
é pega ensinando outras crianças brincadeiras relacionadas a sexo, ela pode
estar apenas repetindo o que ela mesma viveu em alguma situação.
·
Depressão, inclusive
idéias de suicídio.
·
Extrema timidez.
·
Problemas para
dormir, inclusive pesadelos, que ocorrem com mais freqüência do que seria normal.
·
Mudanças repentinas
e extremas de comportamento, tais como perda de apetite, isolamento social,
problemas nos estudos na escola e medo de adultos, principalmente quando a criança
não gosta de ir a determinado lugar ou passar tempo com determinada pessoa.
·
Medo de ficar só.
Nossa Responsabilidade
Se você sabe ou suspeita de um caso de abuso sexual
na sua família ou outro lugar, você precisa agir! Você tem a responsabilidade
de levar o caso às autoridades: “Não participem das
coisas sem valor que os outros fazem, coisas que pertencem à escuridão. Pelo
contrário, tragam todas essas coisas para a luz”. (Efésios 5:11 BLH) Se
uma criança lhe contou que foi abusada, é muito importante que você ofereça
apoio, amor e segurança. Em primeiro lugar, acredite no que a criança
disse. As crianças quase nunca mentem sobre essas coisas. Mas tome cuidado
com sua reação, pois a criança poderá pensar que sua revolta e choque são contra
ela. Diga a ela que ela não fez nada de errado e que você está contente que
ela lhe tenha revelado o segredo. Depois de tudo, procure assistência imediatamente.
Se o caso não for denunciado, há o sério perigo de que o sedutor venha a fazer
outras vítimas. Se você não sabe o que fazer, procure alguém da justiça e peça
orientação.
É Melhor Prevenir do que Remediar
O Dr. James Dobson aconselha: “Não acho que seja
uma boa idéia deixar seus filhos de ambos os sexos aos cuidados de rapazes adolescentes.
Eu também não permitiria que meu filho adolescente cuidasse de alguma criança.
Por que não? Porque há tanta coisa ocorrendo sexualmente dentro dos adolescentes
do sexo masculino. O impulso sexual nos meninos está no auge da vida entre a
idade de 16 e 18. Sob essa influência, crianças já foram gravemente prejudicadas
por ‘bons meninos’ que não tinham intenção alguma de fazer mal, mas que foram
levados pela curiosidade a experimentar e explorar”. [10]
A chave para proteger seus filhos é se
comunicar com eles de modo aberto e sincero em todas as áreas — não só na área
sexual. É importante que seus filhos saibam que eles podem vir conversar com
você sobre qualquer coisa. Passe tempo diariamente com eles para descobrir
como eles estão indo e como estão se sentindo — e deixe-os falar enquanto você
presta atenção.
Ensine seus filhos que se alguém lhes disser “Não
diga para ninguém”, “A mamãe via ficar furiosa se souber” ou “É um segredo”,
eles devem procurar você imediatamente. Ensine que você vai ficar contente quando
eles lhe revelarem situações desse tipo e não se esqueça de realmente demonstrar
sua alegria quando eles lhe procurarem.
Uma idéia muito boa é você conversar com
seus filhos sobre “toques bons”, “toques maus” e “toques que confundem”. Você
pode simplesmente explicar: “Toques bons fazem você se sentir bem, como
um abraço da mamãe ou segurar a mão do papai. Os toques maus fazem você
se sentir mal. Toques que confundem podem parecer bons no começo, mas
depois fazem você se sentir mal ou estranho por dentro, como se você estivesse
sentado no colo de um homem e ele começasse a tocar em você em lugares de que
você não gosta. Ou então no caso de alguém que pede que você lhe toque numa
parte do corpo que assusta você”.
Converse com seus filhos calmamente sobre essas coisas.
Ensine-lhes que eles sempre devem dizer NÃO e procurar você imediatamente. Uma
criança precisa aprender dos pais que Deus criou o corpo dela e que o corpo
dela é belo. Mas Deus deu o corpo dela para ela, e ela deve ser ensinada a não
deixar ninguém tocar em seu corpo de um modo que a faça se sentir estranha ou
com medo ou a faça sentir algo ruim.
Bibliografia:
Baby & Child Care (Focus on the Family: Colorado Springs, CO 1997),
Incest: The Family Secret (Last Days Ministries: Lindale, TX, 1985).
For those who have been abused (Healing Hearts [folheto americano sem endereço e sem data, disponivel com
o autor]).
© 2002 by Julio Severo: juliosevero@hotmail.com
[3] Phyllis Schlafly, Pornography’s Victims (Crossway Books: Westchester,
IL1987), p. 184.
[4] John Wimber, Power Healing (Harper & Row Publishers: New York, NY,
1987), p. 118.
[10] Dr. James Dobson, Bringing Up Boys (Tyndale House Publishers: Wheaton,
Illinois, 2001), p. 127.
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