Aborto: danos e conseqüências
Tradução de DOMINGOS ANTONIO CAMPAGNOLO
Fala-se muito de aborto, poucas vezes, porém, se fala de suas
complicações, seus danos e conseqüências. Por essa razão,
apresentamos estas observações, para sua informação e
reflexão.
Complicações imediatas do aborto, segundo o método
empregado.
A - Método da Aspiração
1. Laceração do colo uterino provocada pelo uso de
dilatadores.
Conseqüências:
- insuficiência do colo uterino, favorecendo abortos
sucessivos no primeiro e no segundo trimestre (10% das
pacientes);
- partos prematuros, na 20ª ou 30ª semana de gestação.
2. Perfuração do útero
Acontece quando é usada a colher de curetagem ou o aspirador;
mais frequentemente, através do histerômetro (instrumento que
mede a cavidade uterina). O útero grávido é muito frágil e
fino; pode ser perfurado sem que o cirurgião se dê conta. É
uma complicação muito séria.
Conseqüências:
- infecção e obstrução das trompas, provocando
esterilidade;
- intervenção para estancar a hemorragia produzida;
- perigo de lesão no intestino, na bexiga ou nas trompas;
- a artéria do útero, nesses casos, frequentemente, é
atingida, criando a necessidade de histerectomia (extirpação do
útero), se não for possível estancar a hemorragia.
3. Hemorragias uterinas
Perda de sangue ou fortes hemorragias causadas pela falta de
contração do músculo uterino. As perdas de sangue são mais
intensas se a gravidez for avançada. Essas perdas são de 200 ml
na 10ª semana de gravidez, 350 na 12ª, 450 na 13ª semana...
Conseqüências:
- necessidade de transfusão de sangue;
- ablação do útero, se a hemorragia não for estancada.
4. Endometrite (inflamação) pós-aborto (infecção uterina
secundária, decorrente do aborto).
Apesar dos antibióticos administrados antes do aborto; há
grande incidência de infecções e obstrução de trompas.
Conseqüências:
- esterilidade
- Gravidez ectópica (fora do lugar apropriado).
5. Evacuação incompleta da cavidade uterina. Necessidade de
prolongar a sucção e de fazer uma curetagem imediata.
Danos e conseqüências:
- possibilidade de extração do endométrio (mucosa uterina);
- formação de aderências no interior do útero e, como
conseqüência, esterilidade, frequentemente amenorréia
(ausência de menstruação);
- possibilidade de placenta prévia na gravidez seguinte,
criando a necessidade de cesariana.
B. A chamada Extração Menstrual
É possível que a paciente não esteja grávida.
Pode ocorrer uma extração incompleta (o ovo frequentemente
não é extraído, tornando necessária uma curetagem).
C. Método das Laminárias
(tampão esterilizado feito de algas marinhas)
Pode ocorrer que fique preso tornando-se necessária uma
histerectomia (extração do útero).
Conseqüências:
- infecções graves por causa da presença de corpo estranho
- as mesmas da histerectomia.
D. Solução Hipertônica Salina (Gravidez de 12 a 20
semanas)
Complicações muito sérias:
- retenção da placenta e hemorragia (50% necessitam de
curetagem).
As mesmas complicações que uma curetagem pode produzir, com
o agravante de uma possível perfuração do útero e da
formação de aderências;
- infecção e endometrite (inflamação da mucosa do útero);
- hemorragia;
- coagulopatia e hemorragia abundante;
- intoxicação por retenção de água; efeitos secundários
do soro salino e da pituita que podem causar falhas de
funcionamento do coração e morte;
- perigo de entrada de solução salina na corrente sanguínea
da mãe com efeitos mortais;
- possibilidade de gravidez mais avançada do que a informada
pela mãe e, na ausência de um exame sério, poderia abortar uma
criança de 2 quilos ou 2 quilos e meio. Esse tipo de aborto
apresenta um perigo dez vezes superior à curetagem. A
mortalidade vai de 4 a 22 por mil.
As razões do aborto denominado terapêutico são uma
contra-indicação para o aborto através de solução salina.
E. Histerectomia (extração total do útero)
Complicações:
Os mesmos perigos e complicações de toda cirurgia
intra-abdominal: hemorragia, infecção, peritonite, lesões da
bexiga e dos ureteres. Complicações variadas em 38 a 61 por
mil.
Complicações tardias do aborto
1 - Insuficiência ou incapacidade do colo uterino.
2 - Aumento da taxa de nascimentos por cesariana (para
permitir que o bebê consiga viver mesmo que prematuro).
3 - Danos causados às trompas por possível infecção
pós-aborto, causando infertilidade (em 18 % das pacientes).
Maior número de complicações em mulheres grávidas que
anteriormente provocaram aborto (67,5% entre as que abortaram e
13,4 entre as que não abortaram).
Dentre todas as complicações, a mais grave é a hemorragia,
que transforma a nova gravidez em gravidez de alto risco.
4 - O aborto pode provocar complicações placentárias novas
(placenta prévia), tornando necessária uma cesariana, para
salvar a vida da mãe e da criança.
5 - O aborto criou novas enfermidades: síndrome de ASHERMAN e
complicações tardias, que poderão provocar necessidade de
cesariana ou de histerectomia.
6 - Isoimunização em pacientes Rh negativo. Aumento,
conseqüentemente, do número de gravidez de alto risco.
7 - Partos complicados. Aumento do percentual de abortos
espontâneos nas pacientes que já abortaram.
Conseqüencias sobre a criança não nascida
1 - Sobre a criança abortada:
- dores intensas (o feto é sensível à dor);
- morte violenta;
- aborto de crianças vivas que se deixam morrer.
2 - Sobre as crianças que nascem depois
Perigos e complicações:
- abortos de repetição no primeiro e no segundo trimestre de
gravidez;
- partos prematuros;
- nascimento prematuro, através de cesariana, para salvar a
vida da mãe e da criança. Trinta e três por cento de abortos
são abortos em que as crianças nascem em posição invertida
(de nádegas).
- parto difícil, contrações prolongadas;
- Gravidez ectópica (fora do lugar) nas trompas, podendo ser
fatal para a mãe - para o feto o é sempre - (a gravidez
ectópica, nas trompas, é oito vezes mais frequente depois de
aborto provocado;
- malformações congênitas provocadas por uma placenta
imperfeita;
- morte perinatal por prematuridade extra-uterina (50% morrem
no primeiro mês de gravidez);
- os prematuros que sobrevivem com freqüência são
excepcionais (paralisia cerebral, disfunções neurológicas
etc.).
O ABORTO É A MORTE VIOLENTA DE UM SER HUMANO: É A
DESTRUIÇÃO DO AMBIENTE NATURAL PARA O SEU DESENVOLVIMENTO.
Conseqüências psicológicas
a) Para a mãe:
- queda na autoestima pessoal pela destruição do próprio
filho;
- frigidez (perda do desejo sexual);
- aversão ao marido ou ao amante;
- culpabilidade ou frustração de seu instinto materno;
- desordens nervosas, insônia, neuroses diversas;
- doenças psicossomáticas;
- depressões;
O período da menopausa é um período crucial para a mulher
que provocou aborto.
b) Sobre os demais membros da família:
- problemas imediatos com os demais filhos por causa da
animosidade que a mãe sofre. Agressividade - fuga do lar - dos
filhos, medo destes de que os pais se separem, sensação de que
a mãe somente pensa em si.
c) Sobre os filhos que podem nascer depois:
- atraso mental por causa de uma malformação durante a
gravidez, ou nascimento prematuro.
d) Sobre o pessoal médico envolvido:
- estados patológicos que se manifestam em diversas formas de
angústia, sentimento de culpa, depressão, tanto nos médicos
quanto no pessoal auxiliar, por causa da violência contra a
consciência.
Os abortos desmoralizam profissionalmente o pessoal médico
envolvido, porque a profissão do médico é a de salvar a vida,
não de destrui-la.
Conseqüências sociais
O relacionamento interpessoal, frequentemente, fica
comprometido depois do aborto provocado.
a) Entre os esposos ou futuros esposos:
- antes do matrimônio: muitos jovens perdem a estima pela
jovem que abortou, diminuindo a possibilidade de casamento;
- depois do casamento: hostilidade do marido contra a mulher,
se não foi consultado sobre o aborto; hostilidade da mulher
contra o marido, se foi obrigada a abortar.
O relacionamento dos esposos pode ficar profundamente
comprometido.
É evidente que as conseqüências, a longo prazo, sobre a
saúde da mãe podem complicar seriamente a estabilidade
familiar.
b) Entre a mãe e os filhos:
- muitas mulheres temem a reação dos filhos por causa do
aborto provocado;
- perigo de filhos prematuros e excepcionais, com todos os
problemas que isso representa para a família e a sociedade.
c) Sobre os médicos
- sobre os médicos que praticam o aborto fora de um centro
autorizado: correm o perigo de serem denunciados. Todos, em
geral, estão sujeitos a denúncias por descuidos ou
negligências na prática do aborto.
d) Sobre os médicos e o pessoal de saúde envolvidos em
abortos legais:
- possibilidade de perda de emprego se negarem a praticar
aborto por questão de consciência;
- possibilidade de sobrecarga de trabalho, por causa do
aumento do número de abortos.
e) Sobre a sociedade em geral:
1. Sobrecarga fiscal sobre os cidadãos que pagam impostos:
- aborto pago pela previdência social;
- preço pago por crianças que nascem com defeitos em
conseqüência de abortos provocados.
2. Relaxamento das responsabilidades específicas da
paternidade e da maternidade; o aborto, com freqüência,
substitui o anticoncepcional.
3. Tendência ao aumento de todo tipo de violência, sobretudo
contra os mais fracos. Conseqüência: infanticídio e
eutanásia.
4. Aumento das doenças psicológicas no âmbito de um setor
importante para a sociedade, particularmente entre as mulheres de
idade madura e entre os jovens.
5. Aumento considerável do número de pessoas com defeitos
físicos ou psíquicos, com todas as conseqüências que isso
significa para a sociedade em geral.
NOTA: Este folheto foi
publicado em francês pelo Movimento Pró-Vida do Canadá e, em
espanhol, pelo de Alicante, Espanha. Vida Humana Internacional o
reproduz com a autorização dos autores.
Vida Humana Internacional, 45 S.W. 71st
Ave., Miami, Flórida 33144 - USA Tel: (305) 260-0560; FAX : (305) 260-0595; E-mail: latinos@vidahumana.org
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Publicado pela Associação Nacional Provida e
Pró-Família com autorização de VIDA HUMANA INTERNACIONAL.
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