Desembargador Cláudio Vianna de Lima
Presidente da União de Juristas Católicos do Rio de Janeiro
O recente e doloroso caso de uma pobre menina, de 11 anos, grávida, serve de campanha antiga, com dinheiro do exterior, em prol do aborto. Centra-se, agora, no Projeto de Lei nº 20/91, que prevê o atendimento, gratuito e automático, nos hospitais públicos, para os casos não-puníveis, igual a outros nas casas legislativas do Brasil. Publicação do Fundo de População da ONU - e a home page desta entidade - divulga os dólares que entram, de modo inexplicado, no país. Desde antes da Constituinte de 1988.
Um médico - não católico, com autoridade de longa prática em ginecologia e obstetrícia - e um sacerdote católico informaram aos pais da menina grávida e, em certa medida, à própria criança, sobre a realidade por todos vivenciada. Inexistia prévio conhecimento das alternativas a escolher. Conscientes de que o aborto mataria a criança em gestação, com o risco para a mãe prematura, conversaram com os pais da gestante e conseguiram sustar a intervenção. Mais tarde desenvolvido o feto, será viável antecipar o parto, salvando a mãe e criança. O ideal!
Afirma-se, levianamente, pois não se pode provar a inverdade, que a Igreja Católica e o movimento antiaborto teriam celebrado sua vitória, diante do sacrifício imposto a uma criança. Mas, sacrifício de qual criança? Da gestante ou da que está sendo gerada? Diz-se que a Igreja Católica deseja impor as suas normas aos não-católicos. Não é do que se trata. Os princípios em jogo são os que a natureza ensina a todos os animais. O animal, que sabe cooperar com as leis naturais no próprio parto, não faz o aborto! A Igreja Católica é um extensa parte da comunhão que vai padecer as conseqüências do aborto incentivado pelo Poder Público. E não pode falar a respeito? Em que mundo totalitário vive quem responde negativamente a esta pergunta, se a URSS, Hitler e outros mais já se acabaram? A Igreja Católica existe há quase dois mil anos e não quer que se repitam os erros que testemunhou.
Nelson Hungria, em Comentários ao Código Penal de 1940, reproduz "categóricos e insuspeitos testemunhos" de médicos da URSS sobre a experiência e lei semelhante ao Projeto 20/91. Omite-se o nome de cada depoente, que não é este um escrito científico. Observa um desses médicos que 'a interrupção da prenhez, ainda quando executada lege artis, evidencia-se como séria e grave intervenção no organismo da mulher". Outro professor afirma: "Quando executamos 140 mil abortos em um ano, quer isto dizer que fizemos 140 mil mulheres inválidas". Num congresso de ginecologia, em Kiev, no ano de 1933, verificou-se não ser real a expectativa de a lei permissiva eliminar os abortos clandestinos: "Frustrou-se a esperança que tínhamos de lutar facilmente contra o aborto clandestino. A custosa experiência que fizemos resultou inútil". Um consagrado mestre ucraniano completou: "A lei permissiva do aborto determinou o aumento dos abortos, até mesmo clandestinos".
Os abortistas calam a verdade de que o abortamento clandestino é procurado exatamente pela discrição da clandestinidade. Não querem registros (como o Projeto 20/91 prevê) os que fogem da publicidade dos seus crimes - adultério e assassínio do próprio filho em gestação. Pesquisa feita nos Estados Unidos apontou que 80% dos abortos são de mulheres casadas (e não desfavorecidas economicamente). O Projeto 20/91 não vai eliminar o aborto clandestino.
Dr. Bernardo Nathanson, o "rei do aborto " nos Estados Unidos (em 2 anos praticou 5.000 mil), converteu-se no campeão da defesa da vida do feto. Usou pioneiramente o ultra-som para acompanhar um aborto. Fez um vídeo em que se pode ver a tortura até a morte do feto, um ser vivo em desenvolvimento. Ante a agressão da aparelhagem de sucção a vácuo, introduzida no útero grávido, o feto se amedronta, se movimenta, se encolhe e busca, em pânico, sobreviver. Luta pela vida, sugado. Imediatamente antes da morte, enquanto ainda lhe é permitido, o feto abre a boca, em silencioso grito de desespero, no esquartejamento final... Nathanson convenceu-se de que o feto é um ser vivo, na extensão da palavra.
Os abortistas, que recebem dólares do exterior para a sua campanha orquestrada no Brasil, são da mesma ideologia materialista que chamava os adversários de "lacaios do capital estrangeiro". Ora aceitam a tortura do feto. Eles mesmos que, quando era de seus interesses, andavam gritando "Tortura nunca mais".